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Resenha de livro

Armadilhas da mente humana.

Referência: O’Sullivan, S.  Isto é coisa da sua cabeça: Histórias verdadeiras de doenças imaginárias.

Primeira edição, Editora Best Seller Ltda, Rio de Janeiro,  2016.

O livro “Isto é coisa da sua cabeça: Histórias verdadeiras de doenças imaginárias”, é a versão traduzida do primeiro livro de Suzanne O'Sullivan, It’s all in your head. True stories of imaginary illness, publicado pela Chatto & Windus em 2015 e com edição no Brasil pela Editora Best Seller Ltda em 2016.

 

O livro tem 306 páginas e preço entre 22 e 42 reais. A autora é neurologista e neurofisiologista ambulatorial no National Hospital for Neurology and Neurosurgery em Londres, e ganhou com este seu primeiro livro o prêmio literário britânico Wellcome Book, que celebra temas de saúde e medicina na literatura.

 

Palestras da autora podem ser acessadas (em inglês) nos links              https://www.youtube.com/watch?v=IyJ31Ojqafs

          https://www.youtube.com/watch?v=QqD8ki5kFgw.

 

Suzanne O’Sullivan abordou, em 9 capítulos, os dilemas da sua profissão, ao tratar pacientes com sintomas físicos sem um diagnóstico clínico ou identificação de uma patologia que os justificassem. São os chamados transtornos psicossomáticos, onde os sintomas podem variar de uma sensação de sufocamento e hipertensão, a desmaios, paralisias, convulsões e cegueira. Os sintomas somáticos e as deficiências são reais, mas a origem, supostamente, está nos meandros da mente. No Manual Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, do inglês), as condições abordadas no livro são descritas como transtornos somatoformes, de conversão, e às vezes, transtornos dissociativos. Enquanto o termo psicossomático é geralmente utilizado na caracterização de sintomas associados a fortes demandas emocionais, como no estresse, os transtornos de conversão são sintomas neurológicos incapacitantes, como a paralisia, convulsões e perda de alguma sensibilidade.

Entre a descrição de um caso e outro, a autora discorre de forma interessante sobre a abordagem dos transtornos somatoformes ao longo da história da medicina e da psicologia, desde quando eram denominados de histeria, e a contribuição dos pesquisadores no assunto, com seus acertos e erros. Os casos são de difícil solução, e demandam muitos esforços dos profissionais e dos próprios pacientes, que além do sofrimento, têm dificuldades em aceitar diagnósticos em que ele (sua mente) “é o próprio causador do transtorno”.

Sem entrar em detalhes, nos dois primeiros capítulos a autora relata casos de pacientes com convulsões que terminam com perda de consciência, antecedidos de mal-estar, sensações de cansaço, problemas urinários e dores pelo corpo.  O capítulo 3 aborda o caso de um paciente que por sentir formigamento no corpo, se convenceu que tinha esclerose múltipla, passando a sentir fraqueza nas pernas, a ponto de ficar preso em uma cadeira de rodas. No quarto capítulo, foi descrito como uma fratura em um metacarpo de uma mão pisada, e completamente curada, mudou completamente a vida da paciente.  No quinto capítulo é tratado o caso de uma mulher de 40 anos, que passou a não enxergar, ou não ter consciência da visão (que estava presente), após receber um jato de limpa-vidros no rosto, sem que lesão alguma fosse produzida. O sexto capitulo aborda o caso de uma jovem que tratou um câncer de mama e passou a apresentar paralisia no braço, reproduzindo sintomas de sua mãe, que também teve câncer e perdeu a função motora. No sétimo capítulo a paciente abandonou o balé por sentir uma fadiga tão acentuada que a confinou em uma cadeira de rodas. No oitavo capítulo, a paciente negou o trauma de uma perda e passou a ter convulsões e ataques epiléticos psicogênicos. No capítulo nove o foco foi sobre uma mulher que tinha epilepsia controlada, que passou a apresentar ataques frequentes em um contexto de isolamento social.

Cada capítulo é, na verdade, recheado de outros casos clínicos que se entrelaçam com o do paciente que dá nome ao capítulo, e de narrativas do conhecimento científico e experiência clínica da autora com os transtornos somatoformes e as razões, sugeridas em pelo menos alguns casos, para o aparecimento e a evolução dos transtornos.

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